Limites

Limites

15.11.10

Sob medida

Cada um tem um tamanho, um jeito, uma forma. Cada um tem um gosto, um desejo, uma ideia. Cada um tem um motivo, uma desculpa, uma ilusão. Eu tenho um sofá pequeno que já foi do meu avô. 
Pequeno que um dia foi grande, pequeno de dois lugares e de muitas trocas; pequeno de muitas lembranças. 
Era o lugar onde eu encontrava meu pai lendo, sempre encostado em um dos braços e com as pernas estendidas sobre as almofadas. Também era onde eu, criança, dormia e cabia de corpo inteiro. As pernas aumentaram mas o sofá não mudou. Hoje, ontem e anteontem, como fora ano passado, retrasado e em mais de vinte outros anos, deitei, ajeitei-me e logo dormi. Dormi bem naquele sofá que parece pequeno mas onde sei, mesmo no escuro, como descansar. 
Nem tudo na vida tem o nosso tamanho, vem do nosso jeito ou ao nosso gosto. Existe abraço que não acolhe e mão que não encaixa. Há pessoas diferentes, umas falam e outras calam, umas sonham e outras esquecem. 
Talvez a gente só precise de um sofá velho. Um sofá para contar histórias. De qualquer tamanho, jeito ou forma. Ao seu gosto, que atenda aos seus desejos e te inspire novas ideias. Que te dê novos e bons motivos, ajude-te a inventar uma ou outra desculpa mas também permita viver doces ilusões. Eu tenho um sofá pequeno. Ele já foi do meu avô.

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