Limites

Limites

4.9.05

Recado para amanhã

Daquilo que realmente vale a pena muito se pergunta, pouco se responde e menos se conclui.
No intervalo entre tantas discussões e reflexões, a vida vai passar a cada dia mais rápido que ontem.

Coisa fugazes, interesses mesquinhos, valores deturpados.

A luta vai ser intensa, árdua, perigosa. E todo cuidado é pouco porque o perigo vem disfarçado.
Em meio a tanta pressa você vai acabar deixando de saber o que queria fazer quando começou,
vai começar a preferir amores descartáveis, elogios comprados e vaidade fabricada. Aí começa a ruína. Até que, um dia, a vida se encarrega de te trazer de volta à vida.

É preciso passar por dores profundas para descobrir a verdade. Por entre as rugas ainda mais contraídas, lágrimas correrão pelas fendas do seu rosto, mostrando que se houvesse mais grito pra dar seria o seu, que se houvesse como rasgar o peito e dar à alma espaço para se dilatar, daria. Talvez esse seja o dia do seu nascimento.

Espero que você descubra que o dinheiro não pode ser o fim, que o trabalho não pode ser o fimmas apenas o meio de ganhar dinheiro. Assim como comer e dormir são imposições, pagar as contas também é. E nada além disso. Necessário é respirar e ser feliz.

Afinal, quando você já tiver comprado tudo, o que fazer? Nos seus últimos dias, vai ser repetida a pergunta que todos os dias se ouvia: será que valeu a pena? Descobrindo que não, a culpa própria arraigada e o perdão que você não vai se dar por não ter feito diferente, vão ser maior que tudo o mais, e vão acabar por guiar o que ainda lhe restar de vida. E podem ser poucos ou muitos dias. Até que o fim chegue.

15.8.05

E quem disse que seria fácil?

Quantas vezes é mais fácil tomar a decisão errada.
Quantas vezes é extremamente doloroso fazer o que é preciso.
Quantas vezes não se tem escolha.

O tanto de coração que parte e presencia a transformação dos olhos em fontes de lágrimas.
O tanto de saudade e lembranças e falta do que não vai ser.
O tanto de dor por ver a cada minuto acabar um pouco mais e nada poder fazer.

É difícil, é duro, é triste. E só você sabe como.

Esses fragmentos de vida que passamos juntos serviram pra ensinar muita coisa, a maioria sem palavras, no silêncio.
Quem dera tivesse sido menos pra não doer tanto.
Vai ser preciso seguir, paralelo, e pensar assim machuca mais.

Ninguém passou indiferente a esse tempo.
Sei que vai ser preciso pensar bastante sobre tudo o que aconteceu,
sei que vou precisar ficar um pouco sozinho, e parar, e lembrar, e ver e mudar.

Na verdade essa mudança já começou.
Hoje eu não sou mais eu,
Embora por fora talvez pareça o mesmo a nossa viagem me mudou por dentro.

Descobrir um pouco de tudo de novo vai ser difícil
mas quem sabe não me leve enfim a entender, de verdade,
o que realmente importa?

Certo. Errado. Necessário. Importante. Momento. Falta.

27.6.05

SINAIS

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De uns tempos para cá tem sido assim:
falta tempo para ler, para escrever, para pensar sobre mim.
Falta tempo para mim.

O texto abaixo não é novo, apenas não havia sido publicado ainda.

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Cada canto da nossa casa mostra um pouco de nós.
Cada peça do guarda-roupas fala quem nós somos e desnuda nossa personalidade.
Um dia, tudo o que construímos ficará.
Talvez quem fique não entenda e não saiba.
Talvez não consiga descobrir tudo o que aconteceu
e o que cada um destes livros arrumados na estante produziram em você.
Os livros ficarão, as paredes também,
a sua cama vai continuar no mesmo lugar, apesar de você já ter ido.
Os dias vão passando. E a cada dia, um dia a menos.
É preciso então ter pressa de viver, pressa para se apaixonar,
pressa para respirar até ofegar.
Enquanto você tem cada vez menos tempo para fazer tudo o que sonhou,
os livros não têm pressa e as árvores, de cima, alheias, observam tudo...e permanecem.

21.11.04

PARA OS PRÓXIMOS 20 ANOS

Honra e paz são duas palavras nas quais tenho pensado bastante. A primeira como princício, a segunda como objetivo. A primeira por essência e porque eu jamais teria a segunda sem ela.
Tenho visto muito coisa acontecer e o tempo passar bem depressa ao meu lado. Tenho percebido gente que corre atrás - sempre atrás sem conseguir alcançar -, numa busca incessante por não se sabe o quê. E infelizmente o resultado é quase sempre igual, com métodos quase sempre parecidos.

Definitivamente não quero, não pretendo ignorar aquilo que recebi de formação e que abracei por fé a fim de atingir objetivos que não me foram imputados sem indagar a concordância. Quero poder manifestar opiniões sinceras sem me preocupar com versões mal contadas. Quero respeitar os próximos e os que se aproximarem, e isso como uma das coisas mais importantes.
Porque não faz mesmo o menor sentido ser conhecido e rico pagando salário de servidão, explorando a necessidade, a ingenuidade, a boa vontade de tantos outros. Tantos outros mais pobres e menos importantes, mas talvez mais felizes e com certeza mais honrados.

Sei que vai ser importante chegar perto do fim e ter orgulho do caminho, das marcas e do lastro. Sei que vai ser importante poder contar a verdade e ter orgulho do que foi feito e de como foi feito. Com honra. Em paz.

No final não vai contar o que você construiu ou vai deixar, mas como você viveu.

19.9.04

O QUE VOCÊ É PARA MIM


Você me desconcerta e me rearruma.
Você me inquieta mas também me sossega.
Ocupa o meu pensamento e está ganhando o meu sentimento.
Você é o passado numa nova e bela forma.
Você foi e agora é. Mais do que foi, é. E será.
Destino vestido de passado e disfarçado de acaso. Essa é você.

17.8.04

Pedaços da Infância

De repente doeu meu peito porque senti saudade. Lembrei da época dos sonhos, daquela que não volta mais... Ah, a minha infância!

Uma foto antiga me fez lembrar do colégio. Taí uma palavra que a gente se desacostuma a falar: co-lé-gio. Tá difícil de segurar o choro bom das lembranças ótimas... Quantas reticências vão caber nesse texto? Com certeza menos do que eu carrego.

Uniforme, livro encapado pela mãe, camisa para dentro do short, jogo de bafo. Estojo novo, estojo com lupa, régua, borracha, clipes, lugar para caneta, lápis e um botão mágico que o abria em cima. Livro novo, caderno novo, tudo com cheiro de papelaria.

Janelas na boca, cada hora faltando um dente. Chifrinho em todas as fotos. Namorar? Só as meninas da mesma série. Afinal, se eu fosse da Quarta série, não poderia namorar uma “pirralha” da Terceira.

Guerra de giz e apelidos, muitos apelidos...

Futebol com bola de copo. Voltar do recreio mais sujo que porco. Descobrir que estar com as meninas é melhor que estar com os meninos. Descobrir as meninas como meninas.

Festas americanas...Ahhh....As festas americanas e as músicas lentas. A primeira namorada.

Subir em muro, árvore e pelas paredes, literalmente. Time de botão, coleção de bolinha de gude e álbum de figurinhas.

As primeiras viagens. Viagem não, excursão.

Meu uniforme, meus amigos, minhas namoradas, meus estojos, meus machucados, minha história. Quanta saudade. Quanta....

Ser jogador de futebol! Eu tinha certeza que seria...Esperar o ano 2000 quando eu seria um adulto, com filhos talvez...

O melhor de tudo: dormir sem perceber, ser carregado no colo, colocado na cama e me cobrirem com um beijo de boa noite, como meus pais fizeram tantas vezes.

Ê saudade...

26.7.04

ESPERA

Como saber quando começa e quando termina o amor? Sem essas respostas, podemos não sentir a única coisa que faria sentido na vida ou deixamos que a lembrança do triste final ofusque o que houve de melhor.

Chorar por felicidade; ter todo o pensamento ocupado por somente uma pessoa; dedicar todos os seus esforços para ser como ela sempre sonhou que seria o homem da vida dela; arder, arder de dor pela separação; não contar e não poupar lágrimas pelo mesmo motivo; envidar todos os esforços para que dê certo; achar e ter a certeza de que viveu somente para conhecê-la; amá-la.

Quantos detalhes - sim detalhes - te levam para longe da mulher que tinha uma mão com o molde ideal para estar junto da sua? Quantas mulheres cabem no seu abraço e sabem se encaixar no seu peito? Uma, ou talvez mais. Com certeza poucas. Você pode achar mãos e abraços, pode criar histórias e recordar afagos, pode encontrar um beijo quente e até mesmo cumplicidade, mas ninguém será como a mulher da sua vida. É preciso fazer tudo mas ainda será pouco porque o amor não está sujeito aos esforços, ele é por si, ele acontece. É preciso humildade para olhar para trás, voltar atrás, correr atrás; e olhando, voltando e correndo, não deixar passar o que só acontece uma vez. O resto são ilusões e quase-amor. Sim, sempre é preciso fazer, tudo.

Se eu tivesse direito a um pedido, tendo dele a garantia de atenção, não tenho dúvida do meu: saber quando acaba e quando termina o amor. Porque eu não quero chegar ao final dos dias supondo que amei e não sabia, ou que desamei e me iludi. Quero poder olhar para ‘quem falta em mim’ e reverenciar o fim da busca, ser tomado de sorriso, ofuscar o sol e enfim poder dizer: valeu a pena.

17.7.04

ASSOPRA E MORDE


Como elogiei um petista da última vez, chegou o momento de deixar a condescendência de lado e apontar o mais novo grande equívoco do Governo dos ‘trabalhadores’. Gostaria, entretanto, antes de fazê-lo, esclarecer que o reconhecimento que aqui fiz a Eduardo Suplicy não era por ser filiado ao partido governista, mas à sua figura pública, à sua atuação enquanto Senador e homem honrado. Apenas isso.

Uma notícia que hoje ganhou certo destaque nos órgãos de imprensa, comunicava a decisão do Governo em não só reajustar as aposentadorias, bem como retroagir ao ano de 1994 e apurar o crédito de cada segurado, pagando-o num prazo máximo de 8 anos. Entretanto, o complemento da informação nos leva a mais um descalabro que somente pode ser entendido como “jogo sujo”, como “empurrar a sujeira para baixo do tapete”, afinal quem pagará essa conta será o empresariado. A solução encontrada pela equipe ministerial foi simples: precisamos manter as metas firmadas com o FMI + queremos aumentar nosso prestígio para as eleições municipais = aumentar a contribuição previdenciária (cujo recolhimento é de responsabilidade do patrão e não do empregado).

O que pode parecer uma decisão inteligente face à falta de alternativas trará, contudo, complexos e penosos resultados futuros quando, aí sim, provavelmente não haverá saída para a encruzilhada na qual o País estará. Não quero aqui ser Profeta do Caos, mas pensemos juntos e me digam depois se não é mero ilusionismo o que se põe diante dos nossos olhos.

O maior problema do Brasil é o desemprego. Disso um ou outro discorda mas não chega a fazer traço em pesquisa. Outros ítens daí decorrem como por exemplo a violência e os baixos salários (se há poucas vagas e muito contingente, o empregador tem o arbítrio de baixar as remunerações, e, na falta de opções, o aceitará o empregado). A solução para o déficit da Previdência Social não está atrelado ao valor da prestação recolhida mensalmente, mas à quantidade de pessoas a ela filiadas. Assim, se não houver estímulo para o emprego formal (aquele com ‘carteira assinada’) onde as pessoas recolhem a contribuição previdenciária, o montante arrecadado jamais será suficiente para fechar a conta, aumentando o prejuízo, o que impede o aumento do salário mínimo e diminui o poder de compra, desaquecendo a produção, estabelecendo a recessão, aumentando o...........desemprego.

Continuemos: se um trabalhador informal não migrar para o trabalho formal, quando ele poderá aposentar-se? A resposta infelizmente é nunca. Se as pessoas passarem a demorar mais tempo para sair do mercado de trabalho, as suas vagas não estarão disponíveis para a mão-de-obra nascente, jogando os jovens ou até mesmo os experientes no percentual de desempregados. Temo dizer que a falência da Previdência Social é iminente. Com ela sofrem os trabalhadores urbanos e rurais, e extingue-se também a licença-maternindade, o auxílio-doença e o auxílio-desemprego. Todavia, em sentido contrário, o Governo onera ainda mais a formalidade, impinge ao empresário mais um encargo, estimulando-o a deixar de registrar seu funcionário a fim de manter o posto de trabalho aberto.

Pois é. Infelizmente, na campanha eleitoral TODOS os candidatos prometiam desonerar a produção, estimular o crescimento e ajudar os Estados com a DRU, fazer o País avançar em números e justiça social, mas agora, o nosso Presidente e sua equipe - mais preocupados com a reeleição da Marta Suplicy - quer posar de bom moço e justiceiro, esquecendo os compromissos assumidos com todos nós. Mas para eles não há com o que se preocupar, eles não perdem o emprego ou aposentadoria.

26.6.04

O LUGAR E O TEMPO DAS COISAS

Saudosismo é um mal que todo mundo sofre, inclusive eu. E tenho andado saudoso, especialmente hoje. Queria poder dizer, com toda a certeza, que o lugar das coisas passadas é no passado, mas infelizmente hoje a falta de certeza me impede.

É verdade que tenho sentido muita - muita falta mesmo - de um tempo que vivi. Não por coisas certas. Não é a falta de pessoas ou momentos específicos. Talvez seja insatisfação com o presente. Sim, tenho saudades, mas não quero ser saudoso. Não sei até onde alimentar esse mal pode me fazer bem. A saudade pode ser boa e grata, mas quando vira lamentação pelo que já não é mais, vira tortura e depressão.

Acho que minha vida nos últimos 10 anos renderia um bom livro, ela foi intensa involuntariamente. Recordar alguém, um tempo, um dia, até que me faz bem, traz um bom sorriso e dá vontade de trazer para o agora caminhos que se perderam. Mas é apenas um surto. Surto passa. Fica a certeza de que foi mas não é. Seria, não será. Alguns dias precisam ser passados para fazer minha história, senão não haveria presente.

Coisa estranha essa de saber que o lugar das coisas é no passado, que saudosismo é uma doença que todo mundo sofre, que eu construo meu futuro mas que só posso defini-lo com base num terreno que não conheço. E mais, que mesmo que pudesse fazer diferente, talvez meu passado não servisse para o meu futuro.

Se tudo isso pareceu estranho ou confuso para você, me desculpe. Foi assim porque está estranho e confuso para mim. Talvez você queira, ou quisesse, trazer um sentimento que ficou para trás, mas não dá. Desculpe, desculpe..........

14.6.04

CONSIDERAÇÕES, CURIOSIDADES E APRENDIZADO

aviso: esse é um desabafo meio longo


Esse blog sempre me desafia. Fico tentado a escrever, e, confesso, penso no que pode atrair alguém a ler minhas linhas e quem sabe elogiá-las...tudo em nome do ego. Mas isso não é regra. Sempre quis mesmo anotar algumas coisas que eu pensava e depois esquecia porque não tenho muito boa memória. Começou assim. Depois foram se multiplicando células cancerígenas que no princípio achava benigno. Elas criaram a caixa de comentários, contador de visitas e idéias mirabolantes sobre o template.

Nesse período que passei sem escrever - por total ausência de atividade cerebral -, me dediquei à leitura. Por várias vezes me deparei com questões políticas quase escritas. Querem exemplos? O avião do Lula ou as Harley Davidson da Polícia Federal comprados há pouco tempo; a rebelião de Benfica, direitos humanos dos presos e a divisão de carceragem por facção criminosa; a inércia do governo estadual do Rio. Mas nada disso era suficiente. Aguçava minha vontade, coçava minhas palmas mas não viravam palavras escritas ou pensamento continuado. Não viravam ideáis. Pensava em escrever mas ia fazer macarrão ou pintar a varanda.

Li e estou lendo Dostoiévski, escritor russo do século XIX, romancista. Seus livros têm me ajudado a recordar da linguagem antiga e das outras formas de conjugação verbal além, é claro, de exercitar minha imaginação tentando visualizar os personagens. Só que, por incrível que possa parecer a vós outros (que tal esse vós outros?), não foi ele que me tirou do lugar-parado. Foram sites. Foram blogs. Estranho? Sim. Estranho? Não.

A mesma curiosidade que moveu o país a acompanhar a Casa dos Artistas I e BBB I, que levou uma multidão em todo mundo a baixar o ICQ e ainda faz salas de bate-papo ficarem cheias, te traz aqui e me leva a outros sites. Curiosidade, curiosidade, curiosidade.

Que vontade estranha é essa que nos leva a querer participar da vida dos outros? Que vontade louca é essa que nos faz querer saber o que acontece na vida de alguém que não somos nós mesmos e, por muitas vezes, são absolutos desconhecidos com quem não possuímos a menor relação? Curiosidade. Mórbida curiosidade? Digo que não. Vivífica curiosidade!

Não sei porque mas tenho me emocionado com muita facilidade. Tá bom, acho que sei: essa primeira semana de junho foi difícil pra mim. Dia 02 seria aniversário do meu pai, dia 06 foi o dia que ele morreu, dia 07 o que foi sepultado...há dois anos atrás. Tudo me quebra, inclusive lembrar. Tenho quase chorado com questões nacionais distantes de mim, com os ridículos casos de família do programa do SBT, com qualquer coisa que não seja totalmente feliz. O que a curiosidade tem a ver com a minha atual fragilidade? Talvez haja relação. Como disse não foi Dostoiévski que atraiu mais minha atenção, foram alguns blogs. Por trás dessas páginas, no entanto, não estão jornalistas, não estão redatores, estão pessoas. Pessoas que se expõem em idéias e segredos. Pessoas que, inexplicavelmente, abrem suas vidas e suas dores para que anônimos distantes tomem dela conhecimento. E talvez a julguem...Tenho visto muitos sites de variados temas e diversas redações. Algumas parecem bem instruídas e maduras, outras ainda novas e sem muito a dizer. Mas caramba!, não importa se disseram ou não. Estiveram ali os autores do blog, que na vida são meros personagens, talvez apenas para dizer "hoje fui ao shopping", ou simplesmente: - Querido diário, hoje estou triste por isso não quero falar com você.

Não. Não importa mesmo o que foi escrito. Importa quem disse. Importa que eu estou participando da vida de alguém, lendo seus sentimentos, torcendo para que as dores sarem e virem apenas cicatrizes como se tudo fosse um capítulo de novela à espera do final feliz. Eu estou participando da vida de muita gente solitária que não me conhece, mas que, justamente por deixar esse vínculo aberto, me deixa compartilhar suas expectativas. Queria poder dizer pessoalmente para elas: você deixou de estar só. Curiosidade mórbida? Não. Curiosidade vivífica!

Estranha essa internet. Afasta as pessoas protegidas pela tela fria do monitor e distantes pelo fio do telefone, mas as aproxima em seus sulcos mais profundos de dores da alma, comuns em muitos homens e mulheres que de parecidos nada têm. Curioso mesmo.