Limites

Limites

31.10.05

...minha última paixão

Se eu tenho a pergunta e conheço a resposta
Se eu tenho a resposta mas não posso dá-la
Se o que dou como resposta não é sentença para a mesma pergunta
Se as dúvidas são maiores
Se os medos vencem o desejo, a vontade,
Se o medo vence a amor...o que fazer?
O que fazer diante de tantos 'ses'
O que fazer à frente de tantas perguntas, senão partir?
Partir com dor, partir sem repartir
Partir parte da parte de mim que partiu para distante.
Leva essa parte, a melhor de mim
Aquela que eu já não conhecia e que não mostrava
Aquela que ninguém mais via,
Aquela parte que eu guardei pra você.
"Para você não esquecer que eu tenho um coração que é seu"
Toma essa parte e leva com você.
Parte para viver do jeito que for,
Parte com essa parte.
Onde você estiver, guarda ela contigo
e lembra da parte de vida que te dei
dos dias que foram seus e dos dias que seriam nossos.
Conhece teu coração e coloca nele a parte que falta
Troca as dúvidas pela esperança
Troca o hoje pelo futuro.
Ouve: seu futuro pode se chamar presente
não no tempo mas no gosto, na surpresa
na felicidade.
Na parte que te falta e que te dei pra levar contigo
Mesmo fazendo falta em mim.

16.10.05

SEM TÍTULO

Obrigado por me fazer parar e pensar.
Você, desconhecido, pode ter vários nomes e vive em tantos lugares.
Você pode ser muitos, pode ser qualquer um que me diga, que eu veja ou que escreva mesmo que não seja para mim.
Se eu te vi, li ou ouvi e seu recado me fez parar, obrigado.
Porque quando paro e fico sozinho com as minhas dúvidas costumo tomar decisões.
Não que elas sejam certas, definitivas ou importantes, são apenas as minhas decisões.
Vereditos que me levam a algum lugar que ainda vou conhecer,
afinal, não dá para prever tudo na vida.

Até hoje tenho seguido minha intuição e ela não tem falhado
mas vou continuar a te ouvir e te observar, seja você quem for,
estando você perto ou longe.
E nesses instantes inesperados, nesses momentos inusitados,
diante às vezes de uma retórica infrutífera, a única opção é parar de falar.
(Me) Calo para, em silêncio e sozinho, escolher meus caminhos.

4.9.05

Recado para amanhã

Daquilo que realmente vale a pena muito se pergunta, pouco se responde e menos se conclui.
No intervalo entre tantas discussões e reflexões, a vida vai passar a cada dia mais rápido que ontem.

Coisa fugazes, interesses mesquinhos, valores deturpados.

A luta vai ser intensa, árdua, perigosa. E todo cuidado é pouco porque o perigo vem disfarçado.
Em meio a tanta pressa você vai acabar deixando de saber o que queria fazer quando começou,
vai começar a preferir amores descartáveis, elogios comprados e vaidade fabricada. Aí começa a ruína. Até que, um dia, a vida se encarrega de te trazer de volta à vida.

É preciso passar por dores profundas para descobrir a verdade. Por entre as rugas ainda mais contraídas, lágrimas correrão pelas fendas do seu rosto, mostrando que se houvesse mais grito pra dar seria o seu, que se houvesse como rasgar o peito e dar à alma espaço para se dilatar, daria. Talvez esse seja o dia do seu nascimento.

Espero que você descubra que o dinheiro não pode ser o fim, que o trabalho não pode ser o fimmas apenas o meio de ganhar dinheiro. Assim como comer e dormir são imposições, pagar as contas também é. E nada além disso. Necessário é respirar e ser feliz.

Afinal, quando você já tiver comprado tudo, o que fazer? Nos seus últimos dias, vai ser repetida a pergunta que todos os dias se ouvia: será que valeu a pena? Descobrindo que não, a culpa própria arraigada e o perdão que você não vai se dar por não ter feito diferente, vão ser maior que tudo o mais, e vão acabar por guiar o que ainda lhe restar de vida. E podem ser poucos ou muitos dias. Até que o fim chegue.

15.8.05

E quem disse que seria fácil?

Quantas vezes é mais fácil tomar a decisão errada.
Quantas vezes é extremamente doloroso fazer o que é preciso.
Quantas vezes não se tem escolha.

O tanto de coração que parte e presencia a transformação dos olhos em fontes de lágrimas.
O tanto de saudade e lembranças e falta do que não vai ser.
O tanto de dor por ver a cada minuto acabar um pouco mais e nada poder fazer.

É difícil, é duro, é triste. E só você sabe como.

Esses fragmentos de vida que passamos juntos serviram pra ensinar muita coisa, a maioria sem palavras, no silêncio.
Quem dera tivesse sido menos pra não doer tanto.
Vai ser preciso seguir, paralelo, e pensar assim machuca mais.

Ninguém passou indiferente a esse tempo.
Sei que vai ser preciso pensar bastante sobre tudo o que aconteceu,
sei que vou precisar ficar um pouco sozinho, e parar, e lembrar, e ver e mudar.

Na verdade essa mudança já começou.
Hoje eu não sou mais eu,
Embora por fora talvez pareça o mesmo a nossa viagem me mudou por dentro.

Descobrir um pouco de tudo de novo vai ser difícil
mas quem sabe não me leve enfim a entender, de verdade,
o que realmente importa?

Certo. Errado. Necessário. Importante. Momento. Falta.

27.6.05

SINAIS

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De uns tempos para cá tem sido assim:
falta tempo para ler, para escrever, para pensar sobre mim.
Falta tempo para mim.

O texto abaixo não é novo, apenas não havia sido publicado ainda.

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Cada canto da nossa casa mostra um pouco de nós.
Cada peça do guarda-roupas fala quem nós somos e desnuda nossa personalidade.
Um dia, tudo o que construímos ficará.
Talvez quem fique não entenda e não saiba.
Talvez não consiga descobrir tudo o que aconteceu
e o que cada um destes livros arrumados na estante produziram em você.
Os livros ficarão, as paredes também,
a sua cama vai continuar no mesmo lugar, apesar de você já ter ido.
Os dias vão passando. E a cada dia, um dia a menos.
É preciso então ter pressa de viver, pressa para se apaixonar,
pressa para respirar até ofegar.
Enquanto você tem cada vez menos tempo para fazer tudo o que sonhou,
os livros não têm pressa e as árvores, de cima, alheias, observam tudo...e permanecem.

21.11.04

PARA OS PRÓXIMOS 20 ANOS

Honra e paz são duas palavras nas quais tenho pensado bastante. A primeira como princício, a segunda como objetivo. A primeira por essência e porque eu jamais teria a segunda sem ela.
Tenho visto muito coisa acontecer e o tempo passar bem depressa ao meu lado. Tenho percebido gente que corre atrás - sempre atrás sem conseguir alcançar -, numa busca incessante por não se sabe o quê. E infelizmente o resultado é quase sempre igual, com métodos quase sempre parecidos.

Definitivamente não quero, não pretendo ignorar aquilo que recebi de formação e que abracei por fé a fim de atingir objetivos que não me foram imputados sem indagar a concordância. Quero poder manifestar opiniões sinceras sem me preocupar com versões mal contadas. Quero respeitar os próximos e os que se aproximarem, e isso como uma das coisas mais importantes.
Porque não faz mesmo o menor sentido ser conhecido e rico pagando salário de servidão, explorando a necessidade, a ingenuidade, a boa vontade de tantos outros. Tantos outros mais pobres e menos importantes, mas talvez mais felizes e com certeza mais honrados.

Sei que vai ser importante chegar perto do fim e ter orgulho do caminho, das marcas e do lastro. Sei que vai ser importante poder contar a verdade e ter orgulho do que foi feito e de como foi feito. Com honra. Em paz.

No final não vai contar o que você construiu ou vai deixar, mas como você viveu.

19.9.04

O QUE VOCÊ É PARA MIM


Você me desconcerta e me rearruma.
Você me inquieta mas também me sossega.
Ocupa o meu pensamento e está ganhando o meu sentimento.
Você é o passado numa nova e bela forma.
Você foi e agora é. Mais do que foi, é. E será.
Destino vestido de passado e disfarçado de acaso. Essa é você.

17.8.04

Pedaços da Infância

De repente doeu meu peito porque senti saudade. Lembrei da época dos sonhos, daquela que não volta mais... Ah, a minha infância!

Uma foto antiga me fez lembrar do colégio. Taí uma palavra que a gente se desacostuma a falar: co-lé-gio. Tá difícil de segurar o choro bom das lembranças ótimas... Quantas reticências vão caber nesse texto? Com certeza menos do que eu carrego.

Uniforme, livro encapado pela mãe, camisa para dentro do short, jogo de bafo. Estojo novo, estojo com lupa, régua, borracha, clipes, lugar para caneta, lápis e um botão mágico que o abria em cima. Livro novo, caderno novo, tudo com cheiro de papelaria.

Janelas na boca, cada hora faltando um dente. Chifrinho em todas as fotos. Namorar? Só as meninas da mesma série. Afinal, se eu fosse da Quarta série, não poderia namorar uma “pirralha” da Terceira.

Guerra de giz e apelidos, muitos apelidos...

Futebol com bola de copo. Voltar do recreio mais sujo que porco. Descobrir que estar com as meninas é melhor que estar com os meninos. Descobrir as meninas como meninas.

Festas americanas...Ahhh....As festas americanas e as músicas lentas. A primeira namorada.

Subir em muro, árvore e pelas paredes, literalmente. Time de botão, coleção de bolinha de gude e álbum de figurinhas.

As primeiras viagens. Viagem não, excursão.

Meu uniforme, meus amigos, minhas namoradas, meus estojos, meus machucados, minha história. Quanta saudade. Quanta....

Ser jogador de futebol! Eu tinha certeza que seria...Esperar o ano 2000 quando eu seria um adulto, com filhos talvez...

O melhor de tudo: dormir sem perceber, ser carregado no colo, colocado na cama e me cobrirem com um beijo de boa noite, como meus pais fizeram tantas vezes.

Ê saudade...

26.7.04

ESPERA

Como saber quando começa e quando termina o amor? Sem essas respostas, podemos não sentir a única coisa que faria sentido na vida ou deixamos que a lembrança do triste final ofusque o que houve de melhor.

Chorar por felicidade; ter todo o pensamento ocupado por somente uma pessoa; dedicar todos os seus esforços para ser como ela sempre sonhou que seria o homem da vida dela; arder, arder de dor pela separação; não contar e não poupar lágrimas pelo mesmo motivo; envidar todos os esforços para que dê certo; achar e ter a certeza de que viveu somente para conhecê-la; amá-la.

Quantos detalhes - sim detalhes - te levam para longe da mulher que tinha uma mão com o molde ideal para estar junto da sua? Quantas mulheres cabem no seu abraço e sabem se encaixar no seu peito? Uma, ou talvez mais. Com certeza poucas. Você pode achar mãos e abraços, pode criar histórias e recordar afagos, pode encontrar um beijo quente e até mesmo cumplicidade, mas ninguém será como a mulher da sua vida. É preciso fazer tudo mas ainda será pouco porque o amor não está sujeito aos esforços, ele é por si, ele acontece. É preciso humildade para olhar para trás, voltar atrás, correr atrás; e olhando, voltando e correndo, não deixar passar o que só acontece uma vez. O resto são ilusões e quase-amor. Sim, sempre é preciso fazer, tudo.

Se eu tivesse direito a um pedido, tendo dele a garantia de atenção, não tenho dúvida do meu: saber quando acaba e quando termina o amor. Porque eu não quero chegar ao final dos dias supondo que amei e não sabia, ou que desamei e me iludi. Quero poder olhar para ‘quem falta em mim’ e reverenciar o fim da busca, ser tomado de sorriso, ofuscar o sol e enfim poder dizer: valeu a pena.

17.7.04

ASSOPRA E MORDE


Como elogiei um petista da última vez, chegou o momento de deixar a condescendência de lado e apontar o mais novo grande equívoco do Governo dos ‘trabalhadores’. Gostaria, entretanto, antes de fazê-lo, esclarecer que o reconhecimento que aqui fiz a Eduardo Suplicy não era por ser filiado ao partido governista, mas à sua figura pública, à sua atuação enquanto Senador e homem honrado. Apenas isso.

Uma notícia que hoje ganhou certo destaque nos órgãos de imprensa, comunicava a decisão do Governo em não só reajustar as aposentadorias, bem como retroagir ao ano de 1994 e apurar o crédito de cada segurado, pagando-o num prazo máximo de 8 anos. Entretanto, o complemento da informação nos leva a mais um descalabro que somente pode ser entendido como “jogo sujo”, como “empurrar a sujeira para baixo do tapete”, afinal quem pagará essa conta será o empresariado. A solução encontrada pela equipe ministerial foi simples: precisamos manter as metas firmadas com o FMI + queremos aumentar nosso prestígio para as eleições municipais = aumentar a contribuição previdenciária (cujo recolhimento é de responsabilidade do patrão e não do empregado).

O que pode parecer uma decisão inteligente face à falta de alternativas trará, contudo, complexos e penosos resultados futuros quando, aí sim, provavelmente não haverá saída para a encruzilhada na qual o País estará. Não quero aqui ser Profeta do Caos, mas pensemos juntos e me digam depois se não é mero ilusionismo o que se põe diante dos nossos olhos.

O maior problema do Brasil é o desemprego. Disso um ou outro discorda mas não chega a fazer traço em pesquisa. Outros ítens daí decorrem como por exemplo a violência e os baixos salários (se há poucas vagas e muito contingente, o empregador tem o arbítrio de baixar as remunerações, e, na falta de opções, o aceitará o empregado). A solução para o déficit da Previdência Social não está atrelado ao valor da prestação recolhida mensalmente, mas à quantidade de pessoas a ela filiadas. Assim, se não houver estímulo para o emprego formal (aquele com ‘carteira assinada’) onde as pessoas recolhem a contribuição previdenciária, o montante arrecadado jamais será suficiente para fechar a conta, aumentando o prejuízo, o que impede o aumento do salário mínimo e diminui o poder de compra, desaquecendo a produção, estabelecendo a recessão, aumentando o...........desemprego.

Continuemos: se um trabalhador informal não migrar para o trabalho formal, quando ele poderá aposentar-se? A resposta infelizmente é nunca. Se as pessoas passarem a demorar mais tempo para sair do mercado de trabalho, as suas vagas não estarão disponíveis para a mão-de-obra nascente, jogando os jovens ou até mesmo os experientes no percentual de desempregados. Temo dizer que a falência da Previdência Social é iminente. Com ela sofrem os trabalhadores urbanos e rurais, e extingue-se também a licença-maternindade, o auxílio-doença e o auxílio-desemprego. Todavia, em sentido contrário, o Governo onera ainda mais a formalidade, impinge ao empresário mais um encargo, estimulando-o a deixar de registrar seu funcionário a fim de manter o posto de trabalho aberto.

Pois é. Infelizmente, na campanha eleitoral TODOS os candidatos prometiam desonerar a produção, estimular o crescimento e ajudar os Estados com a DRU, fazer o País avançar em números e justiça social, mas agora, o nosso Presidente e sua equipe - mais preocupados com a reeleição da Marta Suplicy - quer posar de bom moço e justiceiro, esquecendo os compromissos assumidos com todos nós. Mas para eles não há com o que se preocupar, eles não perdem o emprego ou aposentadoria.