Limites

Limites

27.1.10


"A covardia coloca a questão: 'É seguro?'
O comodismo coloca a questão: 'É popular?'
A etiqueta coloca a questão: 'é elegante?'
Mas a consciência coloca a questão, 'É correto?'
E chega uma altura em que temos de tomar uma posição que não é segura, não é elegante, não é popular,
mas o temos de fazer porque a nossa consciência nos diz que é essa a atitude correta"

Martin Luther King Jr.

23.1.10


Prisão e Liberdade

Não há quem nasça livre. No primeiro sopro já temos nome e sobrenomes que dizem a quem pertencemos. Primeiro estamos presos por não falar, por não andar, por só comer papinha. E assim a vida segue. Falando, andando, mastigando, e, enfim, escolhendo. Sempre buscando superar algo que nos limite, sempre tentando romper essas pequenas prisões.

Escolhemos amigos, amores, times, músicas, hobbies...mudamos de gosto. Mudamos de roupa, de amigos, de amores, de músicas, de hobbies. Nunca de time! Assim vamos todos os dias, presos à nossa alteração de vontade. E começa o paradoxo.

Aquilo que começa como um ato de liberdade, como a superação de barreiras que nos impediam de deixar de ser criança, torna-se a nossa nova prisão: ficamos presos na busca pela liberdade. Quando os anos passam e tomamos decisões que influenciam outros anos, outras pessoas, vemos que estamos ligados a muito mais que o nosso ego, que a nossa satisfação imediata. O vento de liberdade que sacudia o mundo aos 18 anos, já tem notas de preocupação.

Os compromissos aumentam, o número de gente afetada cresce, o risco é maior, a autocobrança é infinitamente mais tensa. E estamos presos na obrigação de decidir. Presos. Já temos pessoinhas as quais escolhemos o nome e damos nossos sobrenomes, elas nos pertencem! Temos emprego, reconhecimento, cargo, vaidade, bens. Temos histórias! E tudo isso nos prende. Queremos sair! Queremos voltar a correr sem hora, queremos caçar pipas.

Há um dia no qual entendemos que a liberdade é uma ilusão. Por vezes boa, outras nem tanto. Sempre estaremos ligados à nossa história, às nossas escolhas, aos resultados dessas decisões. Sempre estaremos limitados pelas nossas fraquezas, mas da mesma maneira seremos impulsionados pela nossa força: isso também é prisão. Quando tomamos consciência daquilo que é excelente em nós, do que nos faz diferente dos outros, passamos a repetir esses gestos, a desenvolver essas qualidades e já não somos mais tão soltos como antes.

A busca pela liberdade pode produzir novas prisões. Na falta de justificativa para os fracassos, para aquilo que não entendemos, há quem se imponha cercas que não existiam apenas para poder explicar porque não podem andar. Quem não conhece ou não sabe, não quer assumir essa condição. Quem não sabe para onde ir ou como fazer ou, ainda, porque a tentativa fracassou passa, dia após dia, a tentar menos, a se restringir mais, a criar mais desculpas para um círculo cada vez mais apertado, tenso, definitivo.

Nem todas as buscas libertam, nem todas as prisões são ruins. Como pregam filosofia e religião, a busca deve ser pela verdade e a verdade trará luz, trará a sonhada liberdade. Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará.

16.1.10

(mais um texto antigo completado agora)

O Cheiro do Incenso

Sei que não posso te dar conselhos por mil razões. A primeira delas é porque há uma parte da sua vida que deixei de saber, apesar de a cada dia ela vir se tornando menor.

Conforme a vida traz novas chances, consigo ver que talvez eles nem sejam necessários porque hoje você é tão segura, tão mais tranquila, tão preparada...

É verdade que a cumplicidade nunca morreu e estava destreinada por alguns anos sem contato. Mas está ali, pronta, inteira. Ela está viva porque persiste em mim um pedaço que te conheceu, e também porque você não deixou de ser quem eu já tanto ouvi.

De qualquer jeito, o que eu poderia dizer? Tantas palavras óbvias de um futuro bom? Mesmo sendo isso o que quero dizer, não tenho certeza se é o que você precisa ouvir agora, nesse momento. Pra mim importa VOCÊ, mesmo que para isso eu espere.

Talvez nem conselhos de verdade eu tenha mas apenas um repertório de convites, de surpresas, de passos, de tantas desculpas que me deixem passar mais tempo ao seu lado fazendo nada, fazendo tudo....ouvindo música.

Acho que a única coisa que realmente posso dizer é que o risco também vale a pena,
que a vida não deve se deixar ser levada, mas que devemos dar o rumo que nossa intuição manda. Ah, mas tudo isso você já sabe!

Fora algumas dessas coisas que não posso dizer, outras delas já são suas.
Pra quê falar de lealdade, de confiança, de sintonia, de felicidade simples, de harmonia, da leveza que às vezes parece fumaça de incenso...Como acrescentar uma linha, um suspiro que seja, se já é você quem fideliza todos os seus mais recentes compromissos.

Sou eu quem deve ouvir. Sou eu.

5.1.10


Mais uma vez o tempo passa e a vida nos reaproxima. Mais uma vez a gente pôde ver que nossos laços são diferentes.

Quero dizer a vocês que esses últimos dias foram MUITO importantes para mim. Relembrar as histórias, reviver o amor e criar novas lembranças foram essenciais para trazer de volta uma parte boa de mim que estava sufocada até o final do ano passado. Viver ao lado de vocês faz diferença na minha vida.

Depois de anos talvez a gente possa anotar algumas dificuldades que passamos, umas marcas duras e difíceis de serem esquecidas. Temos ainda algumas pessoas que chegaram e ficaram por um tempo, uns sonhos que não deram certo. Nem sempre conseguimos dividir isso entre nós porque estávamos longe demais.

Às vezes a distância foi física, outras de ideias, mas também já nos afastamos por teimosia, para que cada um pudesse aprender sozinho com uns voos loucos. Hoje estão todos de volta e a impressão que tive foi realmente de um momento especial, de estarmos diante de uma oportunidade imperdível de reforçarmos nossos elos.

Eu pude, com vocês, viver um final de ano inimaginável, dias incríveis, próximos, intensos, dias e noites inteiras como talvez nós mesmos pensássemos não sermos mais capazes de criar. Não quero abrir mão disso.

Digo a vocês, a cada um de vocês, e não precisam me cobrar: no que depender de mim terei tempo para nós. Separarei mais tempo para dividir os dias cheios e os vazios, colocarei como uma das minhas prioridades gastar mais dessa vida com aqueles que Deus me permitiu conhecer, respeitar, admirar e amar.

1.1.10

Criando seu Céu

email de Dani Krause (www.avidaaconteceagora.blogspot.com/ e www.descobrindoacidade.blogspot.com) enviado em 30/12/2009

"Queridos, Acabei de ler um haicai, uma poesia de poucas e boas palavras, e fiquei tocada como a Helena Kolody conseguiu reunir em tão pouco tantas ideias transformadoras. Aí, claro, foi por água abaixo minha ideia original de não amolar vocês com mais um e-mail neste final de ano. Não resisto, preciso espalhar. Foi este aqui:
Pinte estrelas no muro
e terá o céu ao alcance das mãos
Fiquei pensando que, para o ano que vem, quero mesmo é desejar que consigamos transformar tudo aquilo que for duro, cinza, inatingível, contrário aos nossos sonhos em algum tipo de boa vontade, de coragem, de alegria, de experiência de vida, que seja. Está certo que não é um exercício de positividade lá muito fácil, mas eu acho que vale muito tentar. Pode parecer meio doido (vindo de mim já era até previsível, eu sei...rs), mas o que eu desejo de verdade é que vocês encontrem um montão de muros para pintarem estrelas bem lindas e brilhantes neles! Ah, e desejo também que me avisem quando aparecer cada nova estrela no céu de vocês. Vou adorar saber disso. Beijos enormes, Dani Krause"


Dani, obrigado pelo email, pela inspiração e pelos conselhos.

30.12.09


Dois Amores

A gente ainda não parou de perguntar como descobrir o amor.
Para uns o amor simplesmente se sente, descobre-se;
para outros é uma escolha, uma decisão, um bom esforço.
Talvez haja dois tipos de amor: um objetivo, outro subjetivo.

A pergunta, apesar de tão repetida, ainda não se esgotou porque em uma fórmula ou em outra, para tantos, o amor acaba.
Muitos lutaram, dedicaram-se, decidiram construir uma parte racional naquilo que era eminentemente emocional.
Já quantos outros pararam no dia em que se apaixonaram e imaginaram que o amor seria nada mais que a parte boa sentida perto do ser querido.

Penso que talvez haja lugar para os dois.
Só trabalhar para construir com suor e abdicação aquilo que ainda não existia, pode representar a morte da parte mágica dessa história que move homens e mulheres, um em direção ao outro, desde que fomos criados.
Por outro lado, deixar o tempo passar e acreditar na cabana, só na cabana, pensar que o amor lúdico sobrevive à falta de atenção, de cuidado, de cultivo, também resulta no fim doído do que se imaginava eterno.

Quem sabe o amor possa ser eterno.
Se tivermos sorte de sentir mais que simpatia por alguém,
Se por acaso nos encontrarmos com aquela que, sem qualquer explicação, mexe com as nossas mais firmes razões,
Se não formos covardes demais, se tentarmos e corrermos o risco da dor, da desilusão
(quantas vezes é melhor um sentimento individual, não correspondido mas também não atacado...),
Se formos correspondidos, se cultivarmos, se nos esforçarmos,
Se decidirmos firmemente amar aquela pessoa,
Se resistirmos a permanecer naquele amor e renová-lo constantemente...

Sim, talvez seja possível.

17.12.09


A salvação não está nas pílulas

A pílula da felicidade não existe e todos nós infelizmente sabemos disso.
Apesar de algumas verdades serem aceitas quase à unanimidade, muitos de nós, vez por outra, esquece e sai em busca de mágica.
Pílulas azuis, antidepressivos, anabolizantes, ecstasy...Drogas ilegais fora, ainda que as legais tenham sua importância e possam ajudar tanta gente que delas necessite num certo momento, o problema está em deixar de enfrentar a causa da dor e viver com uma cartela de tarja preta na primeira gaveta da escrivaninha.

As nossas ansiedades incontroláveis precisam ser curadas e não apenas abafadas por uma noite de sono. Não se cura o mal desligando o corpo e abafando as ideias turbulentas. As noites passam, os efeitos das drogas passam, as crises - por até muito tempo - passam e as damos como curadas. Até o dia que em que voltam.

A felicidade não é vendida em cápsulas, a infelicidade não pode ser tratada com pílulas; a ansiedade pode ser controlada com remédios mas a causa dela precisa ser descoberta.
Todas as dores da alma têm um motivo e, assim como tudo na vida, é preciso trabalho, dedicação, tempo e coragem para buscar no desconhecido aquilo que nos libertará.

9.12.09

(esse texto era rascunho desde 2005. Voltou agora sem querer. Talvez ainda esteja incompleto)

Recomeçando, continuando

Mais uma vez estou confuso e envolvido em dúvidas maiores que eu.
De novo me sinto fraco com muito medo de errar, ainda que não seja o erro o que me assuste mas as suas consequências.

Estou às voltas com sentimentos que já havia esquecido e talvez não queira deixar - de novo -perdidos no tempo.
Tudo culpa de uma voz estranha que sempre me acompanhou e dá conselhos contrários ao meu bom senso. Ah! Como brigo com ela...como tira minha paz...

Sei que cada dia é um novo começo mas que a noite não põe necessariamente fim a tudo.
Entendo que preciso tomar decisões e que delas podem vir desilusões.
Posso desistir ou continuar, posso me calar ou então contar.
Mas também posso dormir...e esperar passar.

2.12.09


Hexa, por uma semana


Ainda que apenas por uma semana, terá valido a pena.

Tudo de improvável aconteceu no caminho para Campinas, na estrada que levava o Flamengo à liderança e nós a uma emoção sentida há 17 anos.

A viagem que começou às 10:30 do domingo guardou alguns sustos. No primeiro pedágio um carro à frente resolver dar ré e, já próximos à cancela do pedágio, não houve como evitar a colisão. Não tive tempo de perguntar se ele era vascaíno ou tricolor (botafoguenses, como sabido, não existem, são seres da imaginação coletiva), nem mesmo pude esperar a PRF para fazer o registro que garantiria a cobertura pela Seguradora, afinal, importava mais chegar logo ao destino. Prejuízo maior seria perder o jogo.

Já na Dom Pedro um pé d'água digno de "Águas de Março" não nos deixava enxergar uma coruja à frente, e, de repente, o limpador do para-brisas deixou de funcionar. O medo durou alguns minutos. A solução foi reduzir a marcha, ligar o pisca-alerta e, de olhos bem abertos, orar muito para que Deus nos guardasse.

TUDO acabou bem. Com 1 minuto Edu pedia substituição, e algum tempo depois Ronaldo 'sentia' a coxa e abandonava a batalha, sendo ovacionado pela torcida visitante emocionada com mais aquele demonstração de amor ao seu verdadeiro clube de coração. A essa altura ainda empatávamos e o São Paulo vencia o Goiás. A preocupação era grande mas continuamos a cantar. Logo após a saída do Traíra tudo mudou e foi uma sucessão de choros: gol do Zé Pretinho e 10 segundos depois o rádio anunciava o empate do Goiás que nos dava a liderança.

Antes do intervalo a Magnética ensandecida ainda vibraria com o segundo gol do Goiás e com uma defesa do Bruno em falta cobrada no ângulo pelo Chicão. O título estava pela primeira vez nas nossas mãos.

A longa fila de quase 2 décadas, as histórias recentes de fracassso..., tudo fazia com que, apesar da maré favorável, o pensamento de todos os rubro-negros em Campinas fosse de tensão, de alegria contida. Meu tio que havia deixado de acompanhar futebol nos tempos de Zico e andava desiludido com as pífias partidas nos últimos 25 anos, também voltou a vibrar com a equipe de Andrade e ligou no intervalo pra falar dos outros resultados.

A cada gol do Esmeraldino (ainda foram mais dois), o sorriso enlarguecia e só era travado quando o argentino do Corínthians resolvia assustar a Nação e tentava acabar com o sonho do Hexa. Pelos Céus, isso não aconteceu.

A cena que o Caco Barcellos não filmou foram vários de nós chorando ao final do jogo quase incrédulos com a derrota do São Paulo, a vitória que nos dava a liderança e a proximidade - outro dia tão improvável - de um título engasgado em 35 milhões de corações.

A volta foi sem sustos, sem chuvas, sem batidas, com muita conversa e com a ansiedade multipicada por 7. Se 7 serão os dias em que teremos sido líderes ou dos que faltam para a grande celebração ainda não sei, mas, certamente, a paixão de muitas gerações estará renovada e a perpetuação desse amor garantida para muitos rubro-negros que ainda nascerão e ouvirão histórias como essas vividas por seus pais.

18.8.09

Sobre hábitos, sobre caráter

Já acreditei que o caráter se conhece pelas atitudes; mais que nas atitudes, diz-se que o caráter pode ser visto nas reações, naqueles momentos imprevistos que exclamam nossos atos mais naturais, nossos pensamentos quase impronunciáveis e sempre bem guardados, nossa moral quase impura. Não mudei esse conceito, só não o trato mais como regra muito menos absoluta.

Permaneço concordando que as reações espontâneas são sinceras e ajudam a revelar a verdade de cada um. Assim como a surpresa inesperada geralmente produz em sorriso sincero, a indesejada dificilmente tem outro resultado que não o sorriso falso.

Hoje acredito e tento respeitar que muitos têm sim verdades diferentes das nossas crenças, dos nossos padrões, dos nossos ideais. Há muitos que sinceramente aceitam e desejam hábitos que não se encaixam na doutrina dos demais; não por isso eles estão errados. Ser maioria, pudico, politizado, heterossexual, cristão ou rico não torna ninguém mais predisposto ao acerto que outrem.

Bons cristãos, gente que enriqueceu licitamente, gente que concorda com a maioria, gente bem intencionada, todos eles e cada um deles pode derrapar feio e não será essa mancha que determinará o caráter publicado nos seus perfis.

Raros ou não, comuns ou atípicos, muitos fatos não deveriam modelar a visão que temos do caráter daqueles que são nossos iguais porque, em geral, quase todos acreditamos e esperamos da vida coisas bastante semelhantes. No mesmo grau, os erros dos 'diferentes' não deveriam ser vistos como desvio de conduta ou falta de caráter. A diferença, muitas vezes, não está no ato cometido mas no seu autor, se é um dos nossos ou um dos estranhos. A desigualdade, em quantos momentos, está apenas no momento em que os deslizes acontecem e permite um ser julgado, o outro julgador. Mas isso é temporário, a roda sempre gira.

Há gente estranha, com hábitos esquisitos e rotina bem questionável cheia de caráter, lotada de ideais firmes, inabaláveis; há gente comum, boa pinta, de boa família, gente bem aceita, também cheia de caráter e com crenças inarredáveis. Esses dois irão errar, mas apenas o esquisito será taxado de mau caráter. Definitivamente isso não parece justo.